segunda-feira, 20 de julho de 2009

Revolução Tecnológica

Revolução Tecnologica Homem e Maquina.

A incorporação da automação e da telemática elevou a qualificação
dos trabalhadores, pois, com os computadores, vieram os engenheiros, analistas,
programadores e digitadores.
Embora houvesse uma divisão de tarefas, tal incorporação, a princípio, tornou o trabalho mais complexo. Todavia, os técnicos mais categorizados foram substituídos por programas pré-elaborados, enquanto as tarefas ou trabalhos mais simples foram repassados aos níveis mais baixos da hierarquia, agora obrigados a digitar e acompanhar nos visores os resultados de cada operação.
Assim, os computadores não são apenas meros facilitadores do trabalho, pois a integração on line os fazem censores rigorosos da administração superior sobre todos os que trabalham e se obrigam a cobrar entre si plena eficiência e produtividade.
A demais, com o advento das novas máquinas automatizadas, entre
elas, os robôs e os computadores, e com a nova organização do trabalho mudaram de natureza as exigências do trabalho.
O corpo continua sendo exigido, mas de outro modo. Os esforços são agora bem mais leves, mais contínuos, rápidos, dando a impressão de serem inócuos tal a leveza no manuseio das máquinas industriais e dos escritórios.
Com a automação contínua e a integração dos sistemas das empresas,os empregados cada vez acumulam mais tarefas simples.
O que é tido como qualificação é, na verdade, um acúmulo de práticas elementares que requerem muita atenção, pouca elaboração mental e conhecimentos rudimentares, sob controle imediato da gerência e mediata da administração central.
A atenção requerida se deve ao ritmo acelerado das operações inerentes ao processo de trabalho automatizado e pelo medo do erro e suas conseqüências.
É esse medo que faz com que o trabalho burocrático, notadamente o desempenhado por caixas e escriturários, origine uma doença peculiar, com provável
repercussão sobre o psiquismo e a economia dos órgãos e funções mais exigidas, como a visão, as mãos e os braços, influindo, também, negativamente sobre o processo de elaboração mental, visto que não há possibilidade criativa nesse tipo de trabalho.
A presença da força de trabalho feminina é crescente e, em alguns, já ultrapassa a masculina. O fenômeno é genérico em todas as atividades que não requerem força muscular, ou seja, em todas as ocupações burocráticas. A automação é um componente de agravamento da situação, na medida em que constrange o mercado
de mão-de-obra e simplifica a qualidade do trabalho requerido.
A divisão e a desqualificação do trabalho burocrático refletem também aspectos físicos penalizadores, pois ele se caracteriza por seu forte componente sedentário, impondo sempre a posição sentada ou de pé, com movimentos predominantes dos braços e das mãos.
As posições corporais acabam ganhando certa rigidez que leva a esforços musculares para mantê-la assim. Diferentemente do conjunto do corpo, os membros superiores, particularmente, as mãos e dedos, em várias ocupações e postos, são muito exigidos e obrigados a uma movimentação repetitiva e contínua. Essa feição pouco ergonômica do trabalho burocrático é agravada pela inadequação freqüente do ambiente: móveis e máquinas mal dimensionadas e instaladas, iluminação e calor desconfortantes, ruído exagerado entre outros.
Essas condições físicas e desfavoráveis do ambiente têm repercussões sobre o corpo que trabalha, em especial sobre as estruturas corporais mais exigidas.
Segundo Ribeiro, “no que diz respeito aos segmentos muscoesqueléticos distais dos membros superiores, as mãos e os dedos, a movimentação contínua torna crítica a viscosidade dentro das bainhas e leitos naturais onde deslizam tendões, vasos e nervos, resultando em atritos entre as várias estruturas vizinhas e conseqüentes perturbações funcionais e até lesões dos múltiplos e delicados componentes envolvidos. Tais desfavores biomecânicos podem ser agravados pelas condições ergonômicas e ambientais, pela atenção requerida, intrínseca a essa espécie de trabalho e pelas reações opressivas, embora sutis, de subordinação.”14
A exigência de mais destreza implica mais atenção.
No trabalho automatizado, o corpo sai pouco do lugar. Nesses trabalhos atentos, tensos e intensos, a cabeça e os olhos seguem os passos rápidos da produção, as mãos se movimentam mais que o resto do corpo e os braços as acompanham ou se colocam em posturas mais ou menos rígidas para que elas executem as tarefas prescritas.
A baixa quantidade da força muscular exigida e a repetição dos movimentos são, entre outros, os elementos responsáveis pela intensidade e aceleração do ritmo do processo de produção e pelo aumento da produtividade.
Ao lado da sobrecarga muscular estática, esses são os elementos físicos habitualmente presentes e mais responsabilizados por lesões de órgãos e tecidos do aparelho locomotor.
Nesse ciclo pós-moderno do capitalismo, a presença desses componentes que integram a materialidade do processo de trabalho e de outros menos perceptíveis que compõem sua organização e a crescente ocorrência das LER em todo o mundo, as fizeram reconhecidas como doenças ou modos de adoecimento relacionadas ao trabalho. Portanto, os movimentos repetitivos, ritmados e intensos dos membros
superiores no trabalho e as várias pressões geradas pela organização do trabalho têm
caracterizado um repertório de adoecimentos cuja amplitude e abrangência podem ser observadas pelas várias denominações que aparecem em diferentes países.
Nesse contexto, doenças e acidentes, para serem consideradas do trabalho, precisam ter sua causalidade provada e comprovada como sendo decorrência do processo de produção.
Assim, o reconhecimento das doenças e acidentes do trabalho passou a necessitar da aprovação do sistema, constituído pelas instituições seguradoras, previdenciárias e de assistência médica e, sob controle do capital e do Estado capitalista.
A vítima passa a ser considerada usuária ou beneficiária e, para fazer jus aos benefícios correspondentes, terá que provar que o dano à sua integridade física ou mental foi provocado pelo processo de trabalho, ou seja, é preciso que o trabalhador
individualmente requeira e prove que está efetivamente doente e que sua doença é
decorrente do trabalho que executa. Desse modo, surge a teoria do nexo causal em
infortunística do trabalho.
A presença da doença no corpo deve ser comprovada pelo médico, pois é ele quem vai dar o nome, conceituar e medir o grau da lesão ou o estado da doença. E quando há dúvidas referentes à presença do nexo causal e o pedido do trabalhador adoecido vai além da assistência médica, é imposta a identificação do agente do processo de produção incriminado de nocivo e a medição dos níveis de tolerância, pois para que a doença seja considerada do trabalho, é preciso que haja
exposição ao risco específico e que a empresa ultrapasse os níveis de tolerância admitidos em lei, isto é, abaixo dos quais a doença não ocorreria.
O cumprimento de tarefas repetitivas, que exigem atenção contínua e são realizadas sobre permanentes pressões e tensões, faz o trabalho real e automatizado penoso e sofrido em qualquer setor.
O trabalho repetitivo, a sobrecarga muscular estática e a nova organização do trabalho, aliadas a automação estão estreitamente associadas na causalidade da LER, uma vez que sua existência está ligada a várias condições em que se inclui uma dimensão causal, objetiva e imediata, relacionada aos processos e à organização do trabalho. Um dos mitos que a LER está ajudando a derrubar com seu explosivo
crescimento é que as novas tecnologias eliminariam o trabalho manual, uma vez que se está adoecendo justamente das mãos, por excesso de trabalho.
Os fatos novos e relevantes a respeito da LER se referem a sua elevada e crescente importância entre as doenças diretamente associadas ao processo e à organização do trabalho; o fato de suas causas mais próximas e freqüentes esteja relacionado aos movimentos leves e rápidos dos dedos sobre teclados de microcomputadores e assemelhados, e pela sobrecarga muscular estática inerente a esses tipos de trabalho; a enorme eficiência dessas máquinas, elevando direta e indiretamente a produtividade em todas as atividades econômicas inclusive as do setor terciário, no qual se concentra hoje mais da metade da força de trabalho; e o aparente contra-senso de que a incorporação de novas tecnologias e o extraordinário crescimento
de produtividade se traduziu em desemprego e adoecimento, ao invés de redução da
jornada e melhor repartição de renda; e o fato de as LER terem se tornado um grave e
complexo problema de saúde pública e social, deixando de ser restrita a poucas
categorias e a poucos trabalhadores.

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